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Cabo-verdiano conquista o Prêmio Camões 2018
 

Germano Almeida, autor que “representa uma nova etapa na história literária de Cabo Verde”, de acordo com o Ministério da Cultura português, nasceu em 1945, na ilha da Boavista, em Cabo Verde. Advogado de profissão, licenciou-se em Direito na Universidade de Lisboa e estreou como contista no início da década de 1980, na revista cabo-verdiana Ponto & Vírgula, que ajudou a fundar. Publicou o primeiro livro, O Dia das Calças Roladas, em 1982, ao qual se seguiu O Meu Poeta, sete anos depois.

Em meio à sua já extensa bibliografia (editada em Portugal pela Caminho), marcada pelo humor e sátira, destacam-se obras como O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo (1991), cujos diretos foram comprados por vários países, como Itália, França, Alemanha, Suécia ou Dinamarca. O livro até inspirou um filme, premiado no Brasil e no Paraguai. Mais recentemente, Almeida publicou A Morte do Ouvidor (2010), De Monte Cara Vê-se o Mundo (2014) e O Fiel Defunto, o seu último livro, que será publicado em breve em Portugal.

O Prêmio Camões de Literatura foi instituído em 1988 com para consagrar um autor de língua portuguesa que, pelo conjunto de sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da lusofonia. Considerado o mais importante prêmio da língua portuguesa, contempla anualmente autores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - CPLP. O vencedor recebe 100 mil euros.

O júri desta edição foi composto por Maria João Reynaud, professora jubilada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Portugal); Manuel Frias Martins, professor jubilado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Portugal); Leyla Perrone-Moisés, professora emérita da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (Brasil); José Luís Jobim, professor aposentado da Universidade Federal Fluminense e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Brasil); pelos PALOP, Ana Paula Tavares, poeta e professora de Literaturas Africanas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Angola); José Luís Tavares, poeta (Cabo Verde).

Em declarações à imprensa, o premiado afirmou-se “surpreendido”, mas “muito feliz” por constatar que o seu trabalho é apreciado a ponto de receber o galardão maior da língua portuguesa.

Eis os brasileiros que já ganharam o Prêmio Camões: João Cabral de Melo Neto (1990), Raquel de Queiroz (1993), Jorge Amado (1994), Antonio Cândido (1998), Autran Dourado (2000), Rubem Fonseca (2003), Lygia Fagundes Telles (2005), João Ubaldo Ribeiro (2008), Ferreira Gullar (2010), Dalton Trevisan (2012), Alberto da Costa e Silva (2014) e Raduan Nassar (2016).

 
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