Opinião  
 

A importância da comunidade

Uma forte característica do tempo em que vivemos é o distanciamento entre as pessoas, em grande parte resultado da dinâmica imprevisível e repleta de mudanças que a sociedade experimenta neste momento brilhantemente batizado por Bauman como “tempos líquidos”.

Nesta realidade, as relações humanas tornam-se breves, inconstantes e, por
vezes, superficiais. A construção de laços afetivos perde importância, enquanto a sobrevalorização do instante impede que se desfrute o prazer das experiências recém adquiridas.

O custo deste estilo de vida se reflete na perda do sentimento de comunidade, ao mesmo tempo em que se aumenta a desconfiança e diminui a solidariedade interpessoal.

Diante disto, se faz ainda mais necessária a promoção de práticas comunitárias que estimulem a sensação de reconhecimento e pertencimento a um grupo. E o Conselho da Comunidade Luso-Brasileira do Estado de São Paulo cumpre um papel de destaque ao manter a aproximação entre portugueses e brasileiros, além de incentivar ações de preservação da história e cultura que enriquecem a relação entre os dois países. Não é exagero dizer que o Brasil tem muito a aprender com Portugal sobre o poder da prática comunitária.

Os exemplos mais evidentes são a recente recuperação econômica e as ações que resultaram em melhorias na qualidade da educação, fatos que dificilmente ocorreriam em uma sociedade com baixos índices de confiança nas instituições e entre os cidadãos.

É este sentimento de comunidade, capaz de unir as pessoas e superar diferenças sociais e ideológicas, que se deve buscar. Esta foi a base que construiu a história de nossos países e certamente é o que nos possibilitará alcançar altos níveis de desenvolvimento, sem nunca deixar de valorizar o que realmente importa: nosso povo.

 
Hilton Cesario Fernandes,
consultor e especialista em pesquisas de opinião e estratégias eleitorais
 
PERFIL
 

Possui graduação em Ciências Sociais e mestrado em Ciência Política pela Universidade de São Paulo – USP. É professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e acumula mais de 15 anos de atuação em campanhas eleitorais. Possui experiência em gestão de projetos, avaliação de governos e de políticas públicas, incluindo projetos internacionais em Portugal e na Venezuela. Em 2010 foi coordenador das pesquisas estratégicas para a campanha presidencial da candidata Marina Silva pelo Partido Verde. Vale destacar que além de brasileiro (paulistano), recentemente adquiriu a cidadania portuguesa.

 
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